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15 de agosto de 2016

#RESENHA A vida em tons de cinza por Ruta Sepetys



Título: A vida em tons de cinza
Autor(a): Ruta Sepetys
Editora: Arqueiro
Série: Livro Único
Páginas: 240
Idioma: Português
ISBN: 8580410169
Ano: 2011
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

SINOPSE: Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda para sempre seus planos.
Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria.
Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos.
A vida em tons de cinza conta a história de um povo que perdeu tudo, menos a dignidade, a esperança e o amor. Para construir os personagens de seu romance, Ruta Sepetys foi à Lituânia a fim de ouvir o relato de sobreviventes dos gulags. Este livro descreve uma parte da história muitas vezes esquecida: o extermínio de um terço dos povos do Báltico durante o reinado de horror de Stalin.
Para Estônia, Letônia e Lituânia, essa foi uma guerra feita de crenças. Esses três pequenos países nos ensinaram que a arma mais poderosa que existe é o amor, seja por um amigo, por uma nação, por Deus ou até mesmo pelo inimigo. Somente o amor é capaz de revelar a natureza realmente milagrosa do espírito humano. 
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Nossa gente, até me arrepio quando leio essa sinopse. A história é muito séria. O livro conta com simplicidade e veracidade o que de fato ocorria nos gulags soviéticos.

Você já ouviu falar da história de Stalin contra o povo da região Báltica assim como você ouve sobre Hitler e a exterminação dos judeus? Aí que está o horror da história, porque as pessoas não sabiam e até hoje não são autorizadas a falar sobre isso livremente. O acontecido foi tão trágico e triste como o nazismo, mas pouco se fala e se vê.
Primeiro que Stalin fez uma lista de todas as pessoas influentes como advogados, estudiosos, engenheiros, etc, que foram deportadas, indo presas acusadas de crimes que não cometeram, ou iam para os gulags trabalhar em condições inexistentes de saneamento básico, alimentação e cuidados médicos.

Enquanto eu lia eu fui pesquisando e a coisa só piora. Depois de se livrarem das garras da União Soviética, os países Balísticos caíram nas mãos de Hitler. Li sobre relatos dizendo que a terra se mexia porque as pessoas eram jogadas nos buracos e enterradas vivas, já que os guardas não queriam esperar um dia ou dois para que elas de fato, morressem.

Enfim, a história é realmente desoladora. O livro é narrado em primeira pessoa pela Lina, filha de um professor influente que acaba sendo preso, e ela, sua mãe e seu irmão de 10 anos acabam sendo levados em condições desumanas para os gulags soviéticos. A viagem é narrada de forma tensa. Eu consegui sentir os cheiros dos corpos azedos e putrefatos durante a narração. Também senti o desespero de uma mãe que não conseguia dar de mamar ao seu filho porque o leite empedrou, senti as pessoas caindo em depressão e ficando desesperadas.
Estima-se que Josef Stalin tenha matado mais de 20 milhões de pessoas durante seu reinado de terror. Estônia, Letônia e Lituânia perderam mais de um terço de sua população durante o genocídio soviético...
A gente não faz ideia dos horrores que já aconteceram no decorrer da história e que ainda acontecem, mas não chegam aos nossos olhos e ouvidos. E nem foi há muito tempo assim.
Um fato muito importante narrado foi a fome. As pessoas viraram pele e ossos, e eram obrigadas a trabalhar e render muito, porque caso o contrário, não receberiam a ração de pão e não teriam forças para trabalhar no outro dia, o que iria virando um bola de neve, culminando na morte horrível dessas pessoas.
Muitas delas foram levadas para a Sibéria, assim como Lina e sua família, onde o frio era extremo e as condições ainda mais desumanas. Adicione o fato de que as mulheres foram separadas dos homens e você tem aí a extinção de um povo inteiro. Muitas mulheres foram brutalmente estupradas, muitas morreram e muitas ficaram grávidas e não puderam cuidar dos seus bebês que foram levados para orfanatos.

É claro que a autora acabou deixando os detalhes muito perversos para trás e as histórias foram um pouco amenizadas. Se fosse mais fundo na história, seria livro de história e não literatura. Mas não deixei de sentir falta de imagens reais da história que não é vista a olho nu pelo livro e os desenhos feitos por Lina. 

Se vocês tiverem a chance de ler esse livro, leiam. Muita coisa foi perdida porque não se podia guardar fotos, documentos, ou até mesmo diários. Os relatos que se tem foram literalmente desenterrados. As pessoas não podiam falar... ainda não podem falar livremente. Essa história precisa ser repassada com mais precisão e veracidade.

Mas o livro também fala do amor e sacrifícios de uma mãe. Da amizade e ajuda mútua que pode salvar vidas. Da esperança que não se apagou dos corações das pessoas que lá foram torturadas.
Uma história de guerra quase nunca contada, mas, acima de tudo, uma lição de amor e esperança.

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Um comentário :

  1. guria q resenha, nossa... fiquei sem fôlego! pelo jeito parece muito com o livro que estou lendo (Rouxinol)... ele também tem algumas partes bem realistas, mas tem muita coisa que não aparece, pois foca mais nas mulheres da segunda guerra... este parece ser mais "cru", mais real... ansiosa e apreensiva para ler

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