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27 de novembro de 2017

#RESENHA - Kindred - Laços de Sangue por Octavia E. Butler

Título: Kindred - Laços de Sangue
Autor: Octavia E. Butler
Editora: Morro Branco
Páginas: 432
Idioma: Português
Ano de Lançamento: 2017
Gênero: Romance / Ficção


Livro cedido em parceria com a editora

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SINOPSE: Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.

Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo.
Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.
 

Começar a escrever sobre o livro, é dizer que em quase 450 páginas Octavia conseguiu de uma forma bem relevante me deixar devastada. Fiquei muito feliz pela Morro Branco ter dado este presente aos leitores - Kindread é um livro genial e uma lição de respeito para todos. Com muito louvor o livro fala sobre preconceito racial, ódio, amor, escravidão, misoginia, opressão, abuso e dilemas raciais que existem até hoje. Apesar de algumas vezes doer em nós mesmos, é algo que serve para abrir os olhos para sociedade em geral.
Comecei a escrever sobre poder, porque era algo que eu tinha muito pouco.

O livro narra a história de Dana, uma jovem aspirante a escritora, que viaja involuntariamente no tempo para salvar alguém próximo a ela e vai parar numa plantação escravagista dos Estados Unidos. Assustada por não se encontrar mais no conforto do seu apartamento com o seu marido Kevin, ela se depara com uma criança se afogando. Sem pensar, ela acaba salvando a criança somente para ser agredida e se deparar com uma espingarda em seu rosto – porém antes de levar um tiro ela está de volta ao presente.

E isso acaba se repetindo por várias vezes, deixando tanto ela quanto Kevin preocupados! O pior é saber que a cada viagem ela percebe que se passaram anos do passado, e no presente somente alguns dias.

Ao se ver de volta à Maryland, no século XIX, Dana começar a imaginar como sua vida seria diferente se vivesse na época, como as coisas poderiam ser tão infectadas de ódio. Acho que além do dilema racial, Dana sofre muito por ser mulher. Ela se vê subjugada, incapaz e sem poder se defender. Sendo escrava e mulher, seu único propósito é ficar a mercê dos homens brancos.
“(...) uma negra para cuidar dele que via os negros como sub-humanos, uma mulher para cuidar dele que via as mulheres como eternas incapazes.”
Mesmo sem a Octavia explicar como Dana consegue viajar no tempo, acho que a história foi escrita de uma maneira tão fluida que acaba criando um certo tipo de lógica. Toda vez que a criança que ela salvou corre algum perigo, ela é levada ao passado e quando isso a compromete, ela volta ao presente. O mais interessante foi ver como Dana, vivendo em uma distopia ao ser tratada como escrava (às vezes até mesmo por meses), tem que lutar pela sua liberdade.
(...) Era muito fácil aconselhar as outras pessoas a viverem com sua dor.
Todos os personagens contribuem efetivamente para a construção da história, sendo brancos ou negros, mas de alguma forma demonstrando o contexto brutal da escravidão. A narração em primeira pessoa da Dana nos ajuda a presenciar de uma maneira muito vívida a voz de uma mulher negra sofrendo abusos, preconceitos, dominação e ódio. A relação construída entre os escravos e os mestres é basicamente ditada pela sociedade escravagista, onde as pessoas brancas se achavam proprietárias dos escravos negros. Onde sem uma estrutura, a única salvação do povo escravo era o suicídio ou uma fuga inacessível. 

Considero Kindred uma leitura obrigatória à todos, seja de qual gênero for. Acho que mais do que conhecer a história, ver como Dana vivencia cada ligação entre o presente e o passado nos dá um choque de realidade muito grande.  O quanto nossos antepassados foram cruéis e como isso até hoje reflete nas consequências na sociedade americana e no mundo.

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