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2 de janeiro de 2017

#RESENHA - Cujo por Stephen King

Título: Cujo
Autor: Stephen King
Editora: Editora Record (1982) – Suma de Letras (2016)
Páginas: 276
Idioma: Português
ADAPTAÇÕES: Cujo (1976)
ISBN: 8556510256
ISBN - 13: 978-8556510259
Classificação: ♥♥♥♥♥
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Sinopse: Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber –  se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.

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“Quando o que estava em jogo era a sobrevivência, quando você só podia contar com as próprias fichas, o que sobrava era a vida ou a morte e tudo isso era perfeitamente normal.”

Eu sou apaixonada pelo Stephen King pois ele tem um jeito de provocar intensas sensações nos leitores, principalmente o terror e o horror. Mas posso dizer que mesmo tendo todos os livros do autor, Cujo me surpreendeu e MUITO, pra mim o livro é um clássico do horror contemporâneo.


O livro é ambientado no estado de Maine, na cidade fictícia de Castle Rock, cinco anos, após uma série de terríveis crimes que lá ocorreram e que deixaram marcas emocionais profundas em seus moradores - evento descrito em “A Zona Morta”. King adota em Cujo um tom irônico de narração, como se fosse um conto de fadas, iniciando-o com o típico Era uma vez... Assim, somos apresentados à uma típica família americana, os Trentons, formada pelo pai, Vic um publicitário bem-sucedido, sua esposa bonita, jovem e entediada, Donna, e o filho do casal, o pequeno Tad que fica apavorado todas às noites, pois ele acredita que existe que um monstro se esconde em seu closet. (e de fato, o autor deixa meio que no ar que o espirito que assombra Tad, é o de Frank Dodd, o serial killer, que teve seus assassinatos descritos e investigados no livro ‘A Zona Morta’. O xerife Bannerman aparece em ambas as obras). Dessa forma, King demonstra que o harmonioso ambiente doméstico da família Trenton aos poucos é invadido por forças exteriores malignas, que ameaçam destruí-la – tema também habilmente explorado pelo autor em “O Iluminado” e “O Cemitério” que com “Cujo” parece formar uma espécie de trilogia. (Não se preocupem, eu vou fazer resenhas destes também).

Paralelamente, também somos introduzidos na rotina de outra família, os Camber. O pai Joe é agressivo e costuma bater na mulher quando sua autoridade é desafiada. Eles têm um filho Bert, que é apaixonante, e que a cada dia, para tristeza de Charity, a mãe fica mais parecido com o pai, e também um cachorro chamado CUJO, o principal protagonista do romance de King.


Como assim, o protagonista É UM CACHORRO? CALMA, lembre-se #sempreconceitoliterário. Sim, digo que ele é o protagonista, porque apesar de ser um cachorro, - um enorme são-bernardo, Cujo expressa seus pensamentos e emoções. Na parte inicial do livro, King o descreve com um cachorro como outro qualquer, que adora brincar, muito carinhoso e adora caçar animais, sendo sua preferência a de caçar coelhos. É em uma dessas brincadeiras inofensivas, que ocorre algo bem desagradável com o animal de estimação até então dócil e amigável, tornando-o agente de terror/horror no livro.

"No entanto, monstro que é monstro nunca morre. Lobisomem, vampiro, carniçal, criatura sem nome de terras arrasadas. Monstro que é monstro nunca morre. Ele voltou a Castle Rock no verão de 1980."

Gostei do fato que não estamos diante de heróis ou vilões da literatura. São pessoas normais, gente como a gente, que poderiam ser nossos vizinhos ou nós mesmos. E isso parece que transforma a história mais real, até porque a situação pode acontecer. Para mim, o livro não é somente uma boa história de horror e, assim como outras obras de King, diz muito sobre aspecto cultural dos Estados Unidos, em suas entrelinhas. King por meio de sua escrita lança um olhar muito crítico sobre os americanos do interior de seu país, - ele nasceu no Maine, estado que faz parte dessa região-, no qual se destaca os caipiras grosseiros e com instintos animalescos e de pura violência, que vivem em locais isolados e com aparência de total abandono.

No livro, o horror é descrito com matizes realistas, com alta carga de dramaticidade. É importante ressaltar que esse elemento surge da fragilidade das relações humanas, que assim como o cão podem assumir contornos assustadores e monstruosos. É no que existe de pior na natureza humana (ignorância, vilania, orgulho, ira, ódio, vingança, culpa) que se encontra a origem do mal que, posteriormente, se materializa sob a forma do cão monstruoso, que ameaça destruir totalmente os alicerces das duas famílias. É justamente a forma inovadora e até mesmo cruel como King descreve o sonho americano transformando-se em um terrível e angustiante pesadelo, que torna o livro, um clássico do horror moderno e dos melhores romances do autor.


Este com todas as letras que este é o romance mais angustiante do autor. Em nenhum outro, fiquei tão tensa em alguns trechos, ou até mesmo torci para o que o interminável sofrimento de um dos protagonistas chegasse ao fim. 
O livro tem uma trama bem dinâmica e amarrada fazendo o leitor ficar curioso a cada página que passa, além de ser bem original. Cujo é assustador, suas cenas são perfeitas, aterrorizantes, angustiantes e sanguinárias. Na minha opinião, das obras de Stephen King que têm alguma criatura como vilã, esta é a melhor. Do início ao fim vibrei, me empolguei e de verdade, fiquei assustado com o cachorro Cujo, com certeza o vilão mais eletrizante e furioso do autor.

“Seus olhares se cruzaram. Os olhos dela eram azuis e os dele vermelhos e congestionados. Durante um momento, ela passou a ver pelos olhos dele, vendo-a ali, vendo a mulher, estaria ele se vendo também nos olhos dela? E então ele saltou sobre ela.”

SEM CONTAR QUE, mesmo sendo fã das edições antigas do autor, a edição da SUMA está INCRÍVEL, capa em baixo relevo com material de ótima qualidade. É um livro pra deixar em evidência na estante.

Não apenas recomendo como afirmo que este é leitura OBRIGATÓRIA para todos os amantes do horror. #bibliotecaking

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