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15 de fevereiro de 2017

#RESENHA - Nossos Dias Infinitos por Claire Fuller

Título: Nossos Dias Infinitos
Autora: Claire Fuller
Editora: Morro Branco
Páginas: 336
Idioma: Português
ISBN: 8592795028
Ano de Lançamento: 2016
Classificação: ♥♥♥♥♥
Livro enviado pela editora como cortesia
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SINOPSE: Peggy tinha oito anos quando seu pai a levou para viver em uma remota cabana no meio de uma floresta europeia. Lá ele lhe disse que sua mãe e todas as outras pessoas do mundo morreram.

Agora eles precisam viver da terra e sobreviver ao rigoroso inverno. Mas até quando a pequena Peggy vai acreditar na história de seu pai? Até quando você pode ficar são, quando o mundo está perdido? O que acontece quando você para de crer em tudo?

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Nossos Dias Infinitos é narrado em primeira pessoa pela Peggy. Nós temos dois momentos nessa história. 1976, que é quando ela é levada de casa pelo seu pai para viverem em uma cabana longe da civilização e 1985, que é o ano atual. A partir daí podemos perceber logo no primeiro capítulo que ela conseguiu sair dessa situação. Mas o que aconteceu para ela ser levada para lá, como ela sobreviveu por tanto anos, como ela saiu de lá? Essas são algumas das questões abordadas nessa história.  

A família da personagem principal não é do tipo amorosa, embora também não seja uma família abusadora. Percebemos que a mãe de Peggy é egocêntrica e que o pai dela sofre de algum tipo de distúrbio quando o objetivo da vida dele se torna montar um abrigo para o "fim dos tempos" e ele acaba se tornando obsessivo com isso. Essa obsessão e mais algumas situações misteriosas (afinal, estamos ouvindo a história pelo entendimento da mente de uma criança) culminam na viagem para a tal cabana.


A capa é muito fofa e não nos mostra a profundidade da história que temos nesse enredo maravilhoso e isso pode nos surpreender. O começo é bem normal, uma história aparentemente comum que vai ficando complexa e angustiante conforme Peggy vai narrando as dificuldades que seu pai e ela enfrentam na floresta até acharem a cabana. Dificuldades que não param por aí. Todo dia é uma descoberta, uma situação nova e eu achei a narrativa muito bem escrita. Em nenhum ponto houve descrições repetitivas, o que contribuiu para que a narrativa fosse bem fluída e conseguimos imaginar o cenário ao redor sem que a leitura fosse cansativa. Ponto para a autora!

Além disso, como o livro é contato intercalando as datas de 1976 e 1985, de acordo com que vamos ouvindo a história atual contata por Punzel (que era como ela gostava de ser chamava na época que ficou afastada do mundo), tentamos fazer conexões com aquilo que nos foi apresentado na história do passado e as coisas começam a fazer sentido. 


Punzel passa a acreditar que aquela é a única vida que ela pode ter e acaba agradecendo por tê-la, pois foi alienada pelo pai em acreditar que todos na face da terra estavam mortos, que só restaram os dois no mundo. Como uma criança inocente de 8 anos, ela acredita fielmente. Vemos traços de amor real do pai para/com ela, mas também vemos muita instabilidade na personalidade dele em alguns pontos. 
O ritmo de nossos dias me protegia, confortava e acalmava. Entrei nele sem pensar, fazer a vida que tínhamos -  em uma cabana isolada em um pedaço de terra, em meio a um mundo que havia diso devastado, como se um pano úmido tivesse apagado tudo num quadro-negro - tornar-se minha normalidade inquestionável. 
Em um ponto comecei a pensar em várias possibilidades do que tinha acontecido, mas nenhuma foi tão cruel quanto a realidade. O final tem um plot twist de arrasar. Sabe quando você termina de ler um livro e pensa: Poutz, valeu cada minuto? Pois é, fechei esse livro com essa sensação hoje. 


Até agora neste ano li 16 livros e posso falar com toda certeza do mundo que desses 16 livros, esse foi o melhor. Eu indico esse livro para quem gosta de uma história bem escrita, cheia de drama, aventura, mistério e principalmente um enredo que mexe com a sua cabeça (tem muitas questões psicológicas abordadas aqui e achei incrível).

O mais bacana desse livro é a narrativa muito rica, bem escrita e com o final surpreendente!

"Datas só nos fazem perceber quão finitos nossos dias são, quão mais perto da morte ficamos a cada dia que passa. De agora em diante, Punzel, vamos viver seguindo o sol e as estações”. Ele me pegou no colo e me girou, rindo. “Nossos dias serão infinitos”. Com aquela última marca, o tempo parou para nós em 20 de agosto de 1976".

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