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11 de dezembro de 2017

#RESENHA - Uma Constelação de Fenômenos Vitais por Anthony Marra

Título: Uma Constelação de Fenômenos Vitais
Autor: Anthony Marra
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Idioma: Português
Ano de Lançamento: 2014
Gênero: Ficção História/Guerra
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SINOPSE: Ao ver sua casa pegando fogo, após seu pai ser levado por soldados russos, Havaa, de 8 anos, se esconde na floresta e observa as chamas até que um vizinho a encontra sentada na neve. Akhmed sabe que se envolver significa arriscar a própria vida e que não há lugar seguro para abrigar uma criança na vila, onde informantes fazem qualquer coisa por um pedaço de pão. Mesmo assim, ele a conduz até o único lugar em que acredita que a menina poderia estar a salvo: um hospital abandonado que já teve quinhentos funcionários e onde a única médica restante, Sonja, está no degrau mais baixo de sua carreira, amputando membros dilacerados em pacientes atingidos por minas terrestres.
Também médico, Akhmed é pouco competente, mas bem-intencionado, e seus conhecimentos, embora precários, são rapidamente requisitados: ele logo aprende a serrar pernas atingidas por estilhaços de bombas. Apesar dos protestos de Sonja de que o hospital não é um orfanato, Akhmed consegue convencê-la a manter Havaa escondida ali.
Nesse cenário de guerras, ocupações e insurgências que arruinaram a Chechênia desde a década de 1990, a confiança entre Akhmed e Sonja desenvolve-se lentamente, com Havaa funcionando como ponte. As histórias de perda dos dois médicos farão com que eles se apeguem à menina com uma ansiedade cega.
Um livro de trama surpreendente, que equilibra momentos de violência e extrema delicadeza, experiências traumáticas e lembranças felizes, Uma Constelação de Fenômenos Vitais é uma história comovente sobre amor e sobrevivência.


Pouco se é relatado em livros guerras que não a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Em Uma Constelação de Fenômenos Vitais o foco está na primeira e segunda guerra na Chechênia (1994 e 1999 respectivamente) descritas de forma muito verdadeira e delicada, onde a crueldade e a fome é uma realidade muito presente na história. 

O livro é narrado em terceira pessoa em uma linha do tempo que vai desde 1994 à 2004. Logo no começo conhecemos uma menininha chamada Havaa, de oito anos, que ao ver a casa pegando fogo, corre para a floresta. Seu vizinho Akhmed, comovido com a situação e ciente de que seu envolvimento poderá lhe custar muito, acaba levando a menina para o hospital abandonado na cidade convencido de que é o único lugar onde ela estará a salvo. Sonja, a única médica do hospital, relutantemente aceita Havaa.

Apesar de ser um péssimo médico e estar a par e aceitar isso, Akhmed começa a ajudar no hospital. Mas em casa ele tem uma esposa acamada que precisa de cuidados e ele faz esse trajeto casa/hospital hospital/casa diariamente. 

De início a narrativa pode ser um pouco confusa e lenta e ouso até dizer que o autor pecou em usar repetidamente parágrafos muito extensos, cansando o leitor. Mas o resultado final, apesar desses problemas, foi o melhor possível.

Alguns moradores da vila de Akhmed e Havaa que vão aparecendo, embora sejam personagens secundários, são de suma importância para a história, porque é através de seus olhos que vemos os horrores e atrocidades que acontecem na guerra. Ser vizinho não te livra de ser caguetado para os russos por informantes desesperados e a medida que o enredo avança, tudo começa a fazer sentido e se encontrar, culminando em um final de partir o coração.
Talvez ali fosse aonde a história chegara à etapa final. Uma civilização sem classes, sem propriedade, sem Estado nem lei. Talvez esse fosse o fim.

O livro é complexo, mas muito bem escrito. Mas é acima de tudo um livro necessário. E se você pensou em desistir da leitura por causa do começo um pouco mais arrastado, vá em frente, continue. A história apesar de difícil, muda a gente. Nos faz pensar, talvez até agir. Com certeza Uma Constelação de Fenômenos Vitais é um livro que vai ficar no meu coração, porque apesar das muitas perversidades que a guerra traz, também vemos o lado humano das pessoas querendo se ajudar em meio a essas grandes dificuldades e isso mexeu muito comigo.

Chorei bastante ao terminar a leitura porque é uma obra real, ainda que sensível e bela, que traz muitos ensinamentos, sentimentos conflitantes e inexpressáveis. Apenas leiam, assim vocês poderão entender o que senti ao fechar o livro.  

E para quem gosta de livros sobre guerras, eu indico A Vida em Tons de Cinza da autora Ruta Sepetys, que vai falar sobre a situação das pessoas nos Gulags Soviéticos na época da Segunda Guerra Mundial. 

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